A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito que apurou a atuação de um grupo criminoso suspeito de práticar empréstimos ilegais com cobrança de juros abusivos, ameaças e uso de violência em Montes Claros e outras cidades do Norte do estado. Ao todo, 12 pessoas foram indiciadas pelo crime de usura, 11 por lavagem de capitais e três por evasão de divisas.
As investigações, iniciadas em 2024, indicaram que os suspeitos miravam principalmente pequenos comerciantes e trabalhadores informais, oferecendo empréstimos sem burocracia, com juros de até 20% em 20 dias e cobrança diária. Em caso de atraso, as vítimas eram submetidas a intimidações, constrangimentos e até agressões físicas.
“Segundo apurado, o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas e liderança definida. Os cobradores se deslocavam, em regra, em motocicletas e utilizavam cartões de visita para divulgar os empréstimos. A investigação também identificou controle sistemático das dívidas por meio de cadernos de anotações, carimbos e registros eletrônicos”, informou a PCMG
Operação Huracán
Segundo a PCMG, a investigação teve início com a operação Huracán, que foi deflagrada em 6 de agosto de 2024. Nesta data, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em Montes Claros que resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 80 mil em dinheiro, além de moedas estrangeiras, documentos, cadernos com anotações de cobrança, cartões de divulgação dos empréstimos e diversos aparelhos celulares.
“O material apreendido foi fundamental para o aprofundamento do trabalho investigativo e consolidação das provas que embasaram o indiciamento. A análise de dados extraídos dos celulares revelou milhares de comprovantes de transferências, além de registros detalhados de cobranças diárias com aplicação de juros considerados abusivos.Também foi identificado expressivo volume de movimentações financeiras s uspeitas, que ultrapassam R$ 6,6 milhões no período investigado.”
Ainda segundo a corporação, as investigações também apontam indícios de lavagem de dinheiro, com ocultação da origem dos valores e possível envio de recursos ao exterior sem declaração.
De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Cézar Salgueiro, o indiciamento dos investigados foi embasada na análise minuciosa dos materiais que foram apreendidos.
“Os elementos reunidos demonstram de forma consistente a materialidade dos delitos e evidenciam indícios suficientes de autoria, o que fundamenta o indiciamento realizado”, conclui Cézar Salgueiro ao informar que o inquérito já foi encaminhado à Justiça para as providências cabíveis.





