Filmado ao longo de cinco anos, o longa acompanha a trajetória de dois jovens pregadores evangélicos em momentos distintos de suas vidas. Daniel Pentecoste viveu o auge da fama ainda na infância, reunindo multidões em igrejas, mas hoje lida com o distanciamento dessa visibilidade precoce. Já João Vitor Ota representa uma nova geração impulsionada pelas redes sociais, vivendo atualmente o auge da popularidade como pregador mirim, com milhares de seguidores.
Dirigido por Miguel Antunes Ramos, o documentário propõe uma reflexão sensível sobre fé, identidade e pertencimento em um Brasil em constante transformação. Mais do que retratar um fenômeno religioso, o filme observa como família, expectativas e contexto social influenciam a formação desses jovens.
Entre o universo dos programas de auditório, que marcaram épocas anteriores, e o cenário atual dominado pelas redes sociais, “A Voz de Deus” evidencia mudanças profundas nas formas de visibilidade e influência, ao mesmo tempo em que revela conflitos íntimos, silêncios e processos de reinvenção.
O diretor Miguel Antunes Ramos é formado em audiovisual pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e tem uma carreira marcada por produções que exploram transformações sociais e urbanas. Entre seus trabalhos estão os curtas “Um, Dois, Três, Vulcão” (2012), “Salomão” (2013), “O Castelo” (2015) e “Comissão de Vendas” (2016), exibidos em festivais internacionais como Roterdã e Oberhausen. Nos longas documentais, destacam-se “Banco Imobiliário” (2016), “Filhos de Macunaíma” (2019) e “A Flecha e a Farda” (2020).
Para Elpídio Rocha, diretor do Cinema Comentado Cineclube, o filme oferece uma oportunidade importante de reflexão sobre as diferentes perspectivas da fé evangélica. Segundo ele, a obra aborda a trajetória de jovens envolvidos com a pregação e o trabalho missionário de forma sensível, contribuindo para a compreensão das relações entre religião, família e sociedade no Brasil, sem recorrer a julgamentos simplistas ou estereótipos.
A exibição integra o Circuito Embaúba, iniciativa da distribuidora mineira Embaúba Filmes que leva produções do cinema brasileiro independente a espaços alternativos, como cineclubes, universidades e escolas, ampliando o acesso à cultura.
Em Montes Claros, as sessões são gratuitas e começam às 19h, no Museu Regional do Norte de Minas, localizado no Corredor Cultural, na rua Coronel Celestino, 75, no centro da cidade. A realização é fruto da parceria entre o Cinema Comentado Cineclube e o CineMuseu, com apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Unimontes, Fulô Comunicação e Cultura e CineMaracas.





