Vivendo e Aprendendo

Confira a coluna Toda Mãe é Cientista desta semana, por Cylene Medrado

Quando uma criança nasce, ela não sabe que tem mãos. É algo impressionante observar quando ela as descobre e aprende a usá-las. No começo, ela move os braços sem intenção. Seus olhos acompanham esse movimento no ar. Aos poucos, ela percebe que aquelas coisas que ficam passando diante dela fazem parte do seu próprio corpo. Com essa descoberta tão fundamental, ela inicia o processo de definição de si mesma.

Os dedos do bebê, que antes permaneciam fechados, agora começam a se abrir, e uma nova parte do corpo se torna disponível para ele: ele chupa os dedos para se acalmar. Também pratica juntar as duas mãos sobre a barriga, deixando que elas se toquem e se explorem mutuamente. Passa a alcançar objetos e segurá-los com as duas mãos. Leva à boca tudo o que está ao seu alcance. Distingue os objetos pela textura e pelo sabor e começa a recolher mais informações sobre o mundo. Um de seus experimentos favoritos é deixar cair uma colher ou um copo da cadeirinha. Essa brincadeira, que pode parecer simples para os pais, na verdade é cheia de descobertas. Cada vez que joga um objeto no chão, a criança testa o poder sobre as pessoas, observando como elas respondem ao seu comportamento; por exemplo, a mãe ou o pai geralmente pega o copo de volta e o entrega novamente a ela.

E, embora pareça que tudo isso acontece de forma natural, existe algo muito importante sustentando esse processo: o papel intervencionista da família. Não é apenas sobre o que a criança faz, mas sobre as condições que possibilitam isso. A família organiza o ambiente, seleciona os estímulos, garante segurança e, principalmente, responde às iniciativas da criança.


Observa quando ela tenta alcançar, quando mantém a atenção, quando repete uma ação e sustenta essas tentativas.

No desenvolvimento típico, muitas dessas aprendizagens emergem de forma espontânea. É o adulto que garante previsibilidade, oferece oportunidades e responde de forma consistente. E é nessa relação que a criança aprende algo fundamental: que suas ações têm efeito no mundo e nas pessoas.

Agora, quando há atraso no desenvolvimento, especialmente na comunicação, esse processo precisa de ajustes. Nem sempre a criança acessa essas aprendizagens apenas pela exploração espontânea.

Nesses casos, a mediação precisa ser mais intencional com objetivo claro.

Então, o adulto pode solicitar algo à criança, esperar sua resposta, modelar, repetir, observar, elogiar e acompanhar. É nesse lugar, meio invisível, que muita coisa acontece. Sim, é a criança quem faz o trabalho.

Mas ela não faz sozinha. Não aprende apenas com o objeto, aprende com quem cuida dela. E é assim que se ensinam coisas simples: a olhar, apontar, esperar.

Algumas crianças vão desenvolver etapas sozinhas. Outras vão precisar de mais apoio por mais tempo. Mas todas precisam de alguém ali: presente, atento, disponível.

As crianças aprendem simplesmente vivendo todos os dias, seja na sua relação com o mundo, com os objetos, mas principalmente com as pessoas que amam.