Imunização contra chikungunya tem início em Minas com foco na prevenção

A estratégia tem como objetivo avaliar, em condições reais de uso, a efetividade e a segurança do imunizante, podendo subsidiar futuras decisões sobre a ampliação da oferta da vacina no Sistema Único de Saúde (SUS)

A vacina contra a chikungunya começou a ser aplicada em Minas Gerais nesta segunda-feira (23/2). Os municípios de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e Congonhas, na região Central do estado, foram os primeiros a iniciar a imunização dentro de um projeto-piloto coordenado pelo Ministério da Saúde.

A estratégia tem como objetivo avaliar, em condições reais de uso, a efetividade e a segurança do imunizante, podendo subsidiar futuras decisões sobre a ampliação da oferta da vacina no Sistema Único de Saúde (SUS). O início da aplicação foi acompanhado pelo secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, em Sabará.

“Minas Gerais foi escolhida entre os 27 estados pela capacidade de acompanhar os casos e realizar a testagem. A expectativa é que, com os dados coletados, os gestores tenham subsídios para ampliar a estratégia e avançar na vacinação da população”, destacou o secretário.


Nesta primeira etapa, Minas recebeu 28,8 mil doses da vacina. Desse total, 19,2 mil foram destinadas a Sabará e 9,6 mil a Congonhas. Os municípios de Santa Luzia e Sete Lagoas também integram o projeto e devem iniciar a vacinação em 25 de março. A definição das cidades levou em conta critérios técnicos, epidemiológicos e a capacidade de monitoramento local.

O imunizante foi desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva, é aplicado em dose única e estimula o sistema imunológico a produzir resposta contra o vírus. Nos estudos clínicos, cerca de 99% dos 4 mil voluntários desenvolveram anticorpos neutralizantes.

O publicitário Luiz Henrique Azeredo, de 38 anos, foi o primeiro a receber a dose na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Campo Santo Antônio, em Sabará. Ele contou que decidiu se imunizar após acompanhar casos da doença na família.

“O relato de quem já teve chikungunya é que as dores são muito fortes. Minha mãe teve a doença e, até hoje, sente dores nas articulações. Quero me prevenir para não correr esse risco”, afirmou.

Quem pode se vacinar

A vacinação é destinada a adultos de 18 a 59 anos que residem nos municípios participantes. Não devem receber o imunizante gestantes, lactantes, pessoas imunocomprometidas, em uso de imunossupressores, indivíduos com duas ou mais comorbidades ou com doença crônica descompensada, além de pessoas com histórico de reação alérgica a componentes da vacina.

A aplicação deve ser adiada em casos de febre, para quem teve chikungunya nos últimos 30 dias e não é recomendada a administração simultânea com outras vacinas.

Investimentos no combate às arboviroses

Minas Gerais mantém investimentos contínuos no enfrentamento das arboviroses. A Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG)destina cerca de R$ 210 milhões por ano para ações de prevenção, vigilância e assistência.

Em 2025, foram investidos R$ 23,6 milhões em ações emergenciais e repassados R$ 35,1 milhões a consórcios intermunicipais. O Estado também antecipou R$ 47,3 milhões para reforço de equipes, ampliação de exames e uso de tecnologias como drones e ovitrampas, armadilhas usadas para monitorar a presença do mosquito Aedes aegypti.

Como resultado, houve redução de 92% nos casos confirmados de dengue em 2025, em comparação com 2024.

Cenário epidemiológico em 2026

Até a última sexta-feira (20/2), Minas Gerais registrava 1.001 casos confirmados de chikungunya, sem óbitos neste ano. No mesmo período, foram confirmados 3.678 casos de dengue, com duas mortes. Em relação à zika, houve um caso confirmado e nenhum óbito.

Leila Santos
Leila Santos é jornalista, graduada pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (Funorte) desde 2019, e editora-chefe do Portal WebTerra. Possui experiência nas áreas de jornalismo, televisão, assessoria de imprensa e comunicação digital, com atuação em produção de conteúdo, gestão editorial, reportagem, apresentação, entrevistas, redação, revisão de textos, roteirização, fotografia e edição de vídeos. Pauta sua atuação pela ética, credibilidade e compromisso com a informação de qualidade. Apaixonada pela leitura e por causas sociais, acredita no jornalismo como ferramenta de transformação e serviço à sociedade.