Em fevereiro de 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) começou a oferecer o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal para prevenção de infecções graves pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em grupos pediátricos de alto risco.
O que é o nirsevimabe (Beyfortus)?
O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal de ação prolongada desenvolvido pela Sanofi (nome comercial: Beyfortus). Em vez de estimular o sistema imune a produzir anticorpos (como uma vacina tradicional), ele fornece anticorpos prontos que conferem proteção imediata após a administração.
Isso é especialmente importante em bebês muito pequenos, cujo sistema imune ainda não está totalmente formado.
Para quem está indicado?
O SUS disponibiliza o nirsevimabe para:
– Bebês prematuros — nascidos com até 36 semanas e 6 dias de gestação.
-Crianças de até 24 meses com comorbidades que aumentam risco de doença grave por VSR.
Exemplos de comorbidades:
Cardiopatia congênita
Doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia)
Doenças neuromusculares
Anomalias congênitas das vias aéreas
Fibrose cística
Imunocomprometimento grave
Síndrome de Down
Todos esses grupos têm indicação clara para proteção com nirsevimabe.
Por que isso é importante?
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é a principal causa de:
-Bronquiolite
-Pneumonia grave
-Hospitalização de bebês e crianças pequenas
Estima-se que o VSR seja responsável por aproximadamente 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em menores de 2 anos.
Com a introdução do nirsevimabe pelo SUS, o Brasil amplia de forma inédita a prevenção dessas doenças em crianças vulneráveis.
Como funciona a proteção?
-Dose única — via administração intramuscular.
-Proteção imediata — por até cerca de 6 meses, cobrindo o período de maior risco de circulação do vírus.
-Complementa outras estratégias, como a vacinação de gestantes contra o VSR que também está disponível no SUS para proteger o bebê ainda no útero.
Onde e quando será aplicado?
A partir de fevereiro de 2026, o nirsevimabe começou a ser aplicado nas maternidades públicas e unidades de saúde do Brasil. A ideia é que os bebês elegíveis possam receber a dose ainda na maternidade ou em unidades de vacinação o mais cedo possível, sempre que clinicamente estável.
Distribuição inicial incluiu cerca de 300 mil doses para todos os estados brasileiros.
Pontos práticos para profissionais de saúde
– Identificação dos elegíveis: prematuros e crianças com comorbidades
– Administração intramuscular – observar técnica e avaliar contraindicações imediatas
– Registro no sistema de informação – essencial para vigilância epidemiológica
– Orientar as famílias sobre os sinais de VSR e importância da prevenção
Impacto esperado
Estudos internacionais mostram que o uso do nirsevimabe reduz hospitalizações por VSR em até >80% em populações infantis comparadas a crianças sem intervenção.
No Brasil, a adoção dessa tecnologia pelo SUS representa um avanço sem precedentes na prevenção da bronquiolite e suas complicações graves, especialmente em grupos de risco.
Conclusão
O início da oferta do nirsevimabe (Beyfortus) pelo SUS em 2026 significa:
- Ampliação da proteção pediátrica contra o VSR
Redução de internações, sofrimento e complicações respiratórias graves
Fortalecimento da atenção à saúde neonatal e infantil
Uma medida que chega antes da próxima sazonalidade do vírus, garantindo proteção precoce e ampla.





