Atleta de Montes Claros conquista ouro e bronze para o Brasil no Sul-Americano Master de Karatê

Alex Freitas supera lesão e falta de patrocínio e conquista duas medalhas para o Brasil em uma das principais competições internacionais do continente.
Foto: Divulgação

O karateca Alex Freitas levou o esporte montes-clarense ao lugar mais alto de uma competição internacional. Representando a Seleção Brasileira, ele conquistou duas medalhas, sendo uma de ouro e uma de bronze, no Campeonato Sul-Americano Master de Karatê.

A competição, que reúne os principais nomes do esporte no continente, aconteceu no Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Karatê (CBK), entre os dias 28 e 31 de janeiro, em Caucaia (CE).

“O sentimento é de alegria, um sonho realizado. Busquei isso por muito tempo e finalmente consegui, só sinto alegria e gratidão.”


Aos 51 anos, Alex dedica a sua vida ao karatê; ora competindo, ora ministrando aulas. Dez vezes campeão mineiro e quatro vezes campeão brasileiro, ele agora carrega no peito as duas primeiras medalhas internacionais após enfrentar adversários do Equador, Chile e também atletas brasileiros.

Pódio do kumitê no Sul-Americano Master de Karatê 2026.
(Foto: Divulgação)

“No Katá foram três fases, venci um chileno, depois um atleta do Equador e na final outro brasileiro, de São Paulo. Foi emocionante e disputado, mas deu certo e fui campeão. No kumitê (luta) venci a primeira luta contra um equatoriano, mas perdi na semifinal para outro brasileiro, e acabei ficando em terceiro lugar”, contou o atleta.

Preparação

Para alcançar a tão sonhada premiação internacional, os treinamentos foram intensos. Alex relata que os treinos de preparação física e de preparação técnica e tática aconteceram mesmo em meio às festividades do final de ano.

O desafio maior veio a duas semanas antes do campeonato, quando o atleta sofreu uma lesão na região lombar. A recuperação exigiu repouso durante quatro dias e também sessões com um quiropraxista. “Graças a Deus, consegui me recuperar, mas foi tenso”, contou.

Desafios

Além da superação pessoal, Alex enfrentou a falta de apoio público e de patrocínios para arrecadar recursos para a viagem.

A saída encontrada pelos seus alunos e amigos foi a organização de uma rifa e uma vakinha online, que aceitou contribuições de todos os valores. Do orçamento de R$ 8 mil reais, a rifa e a vakinha cobriram metade do valor e o restante foi pago pelo atleta.

“Fiquei triste porque não pude agregar nenhuma marca às minhas conquistas. Não tive apoio institucional nenhum, nem público, nem empresarial ou comercial, nada,” lamentou.

As limitações financeiras também fizeram com que dois de seus alunos, que estavam classificados para o campeonato, desistissem da viagem.

Atleta de Montes Claros consegue duas medalhas para o Brasil na competição.
(Foto: Divulgação)

Para Alex, que atua no esporte há 40 anos, o panorama local é desanimador, “Saímos daqui muitas vezes pra longe, de casa da família, e sempre levamos o nome da cidade nas nossas disputas. Querendo ou não o nome da cidade aparece, mas as pessoas daqui infelizmente não reconhecem. Depois que voltamos com resultados aí aparecem aqueles com abraços e fotos, mas na próxima competição todos somem de novo…”, desabafou.

Apesar de todas as dificuldades, o calendário da modalidade segue firme em 2026:

“Este ano já começa com a etapa classificatória do campeonato mineiro em pedra azul no dia 1o. de março. Depois vem a etapa final do Campeonato Mineiro, Campeonato Brasileiro e teremos o segundo Campeonato Sul-Americano Master de Karatê em setembro no Equador. Vamos ver se, dessa vez, alguém se sensibiliza e acaba divulgando sua marca nas nossas conquistas”, completou.

Nínive Lacerda
É jornalista formada pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) em 2022, com experiência em videorreportagens, marketing e redação. Acredita na prática jornalística enquanto mediadora das negociações sociais.