Celebrado em 29 de janeiro, o Dia da Visibilidade Trans convida a sociedade a enxergar, respeitar e valorizar trajetórias que, por muito tempo, foram invisibilizadas e marcadas pela exclusão. Mais do que uma data simbólica, o dia reforça a luta por dignidade, direitos e oportunidades reais para pessoas trans em diferentes espaços, inclusive no mercado de trabalho.
Na AeC, a data ganha significado concreto com o projeto “TRANSformando AeC”, uma iniciativa que apoia colaboradores no processo de retificação de nome e/ou gênero em documentos civis. Liderado pela área de Pessoas, com apoio de consultores externos, o projeto vai além do reconhecimento simbólico: promove acolhimento, segurança jurídica e dignidade, fortalecendo um ambiente corporativo onde cada pessoa possa ser quem é, com orgulho e pertencimento.
Desde o lançamento, em novembro de 2025, mais de 100 colaboradores já se inscreveram no programa e mais de 40 estão em processo de retificação de nome. Embora a empresa já adote a política de Nome Social, um levantamento interno apontou que custos, burocracias e entraves jurídicos ainda são obstáculos para a conclusão da alteração oficial em documentos como CPF e certidão de nascimento.
Para o vice-presidente de Pessoas e Serviços Corporativos da AeC, Alexandre Faria, a iniciativa representa um posicionamento institucional. “Na AeC, acreditamos que cada pessoa entrega seu potencial completo quando é respeitada em sua totalidade. Nosso papel é viabilizar trajetórias de vida e carreira, promovendo respeito e oportunidade para todos”, afirma.
Atualmente, 22,6% do time da AeC é formado por pessoas da comunidade LGBTQIA+. No setor de telesserviços, segundo a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), cerca de 20% dos 1,4 milhão de trabalhadores se identificam como LGBTQIA+, sendo aproximadamente 1% pessoas trans — um grupo que ainda enfrenta barreiras significativas para o pleno exercício de seus direitos.

A participação no programa é voluntária e ocorre em ambiente interno e sigiloso, com acompanhamento contínuo do RH, indicadores de progresso e a possibilidade de compartilhamento de histórias que inspiram outros colaboradores. É o caso de Ally Serafim, primeiro beneficiado pelo projeto. “Meu sonho era simples: ver meu nome social em todos os meus documentos. A AeC transformou esse sonho em realidade”, relata. Após a retificação, Ally foi convidado a compartilhar sua experiência no ImpactAeC, evento de apresentação do Relatório de Sustentabilidade da empresa. “Foi um momento de muita emoção e de reconhecimento”, completa.
Visibilidade também nas políticas públicas
Em Montes Claros, o Dia da Visibilidade Trans também será marcado por ações promovidas pela Prefeitura, por meio das secretarias municipais de Desenvolvimento Social, Educação e Saúde. A programação acontece na Casa da Cidadania, na Praça Raul Soares, e inclui palestras, orientações, acesso ao processo de retificação de nome no RG e disponibilização de vagas de emprego voltadas à comunidade trans.
Criada em 2004, a data tem como objetivo ampliar o debate sobre o combate à transfobia, o respeito às identidades de gênero e o acesso a políticas públicas. Para o presidente do Movimento Gay dos Gerais (MGG), José Cândido Filho, o Candinho, o fortalecimento do evento ao longo dos anos reflete avanços importantes. “Essa data representa a luta de transexuais e travestis na defesa da garantia e ampliação de seus direitos e no combate ao preconceito”, destaca.
O Dia da Visibilidade Trans reafirma que diversidade não pode ser apenas discurso. Seja no poder público ou na iniciativa privada, garantir visibilidade é assegurar direitos, respeito e oportunidades. É transformar realidades, com ações concretas que promovem cidadania, pertencimento e igualdade.





