A empresa AeC Contact Center divulgou, neste domingo, uma nota de pesar lamentando profundamente a morte da colaboradora Jhennifer Karoline Gomes Vieira, de 26 anos, vítima de feminicídio na madrugada de sábado (06/12), no bairro Tancredo Neves, em Montes Claros. A jovem foi assassinada dentro da própria casa e deixa três filhos pequenos; duas meninas e um menino.
Jhennifer trabalhava na unidade da AeC em Montes Claros há 11 meses e era reconhecida pelos colegas como uma profissional atenciosa, dedicada e muito querida. A morte brutal, atribuída pela Polícia Militar ao próprio companheiro, causou forte comoção entre funcionários, gerência e moradores da região.
Como ocorreu o crime
De acordo com a Polícia Militar, o autor, de 32 anos, compareceu espontaneamente ao posto policial da Vila Tiradentes e confessou o assassinato após um desentendimento com a esposa.

No local, os militares encontraram uma picareta, apreendida como possível arma do crime. A vítima foi localizada sobre a cama, já sem vida, com um ferimento profundo na cabeça. As três crianças do casal estavam na residência no momento da chegada da PM.
O autor foi preso e encaminhado à Delegacia da Polícia Civil, onde permanece à disposição da Justiça. As crianças ficaram sob responsabilidade dos avós maternos.
Nota de pesar da AeC

Em manifestação pública, a empresa lamentou profundamente a perda e destacou o impacto da violência de gênero na sociedade:
“É com imenso pesar que a AeC vem a público prestar condolências a toda a família, amigos e colegas da colaboradora Jhennifer Karoline Gomes Vieira, de 26 anos, vítima de feminicídio neste sábado, 06/12, em Montes Claros (MG). Jhennifer era filha, mãe de duas meninas e um menino, amiga e colaboradora da unidade da empresa na cidade há 11 meses. Hoje, infelizmente, é mais uma vítima da violência contra a mulher no Brasil. Informamos que estamos prestando todo o apoio necessário à família e acompanhamos de perto o trabalho das autoridades. Como empresa socialmente responsável e que se orgulha de ter maioria feminina em seu quadro de colaboradores, a AeC atua firmemente no combate ao machismo e na promoção da equidade de gênero, apoiando ações de prevenção e acolhimento, como o programa ‘Antes que Aconteça’. Em um momento de imensa tristeza, convocamos a todos para uma reflexão urgente sobre como proteger nossas mulheres e construir uma sociedade mais justa e segura.”
A empresa ressaltou que continuará prestando assistência à família e reforçou seu compromisso com iniciativas de prevenção à violência de gênero em todas as unidades do país.
Violência contra a mulher: situação em Minas Gerais e em Montes Claros
(Dados oficiais disponíveis até o último levantamento consolidado, atualizado em outubro de 2025. Os números mais recentes ainda estão em fase de consolidação.)
Minas Gerais: milhares de mulheres violentadas diariamente
Entre 2021 e 2023, Minas Gerais registrou 443.325 mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, considerando casos tentados e consumados.
Isso corresponde a 405 mulheres violentadas por dia no estado.
Já em 2024, o serviço Ligue 180 recebeu 64.484 denúncias de mineiras, um aumento de quase 14% em comparação a 2023, evidenciando maior busca por ajuda — e também maior incidência de casos.
Montes Claros: alta nos registros e feminicídios em sequência
Montes Claros segue tendência semelhante ao restante do estado, com números alarmantes:
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Crescimento de 17,99% nos registros de violência doméstica contra mulheres em 2023, totalizando 3.358 vítimas no ano.
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47,83% dessas mulheres são pardas ou pretas, indicando vulnerabilidade agravada por recortes raciais.
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Em 2023, foram registrados 6 feminicídios consumados.
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Entre 2024 e outubro de 2025, o município registrou 4 casos de feminicídio, sendo 1 consumado e 3 tentativas.
Embora novos dados estejam sendo atualizados pelas autoridades, o cenário permanece crítico e reforça a urgência de ações de prevenção, acolhimento e proteção.
Violência que não é estatística: é vida interrompida
A morte de Jhennifer é mais um alerta doloroso de que a violência contra a mulher não é apenas um conjunto de números, mas uma realidade que destrói famílias, interrompe histórias e impacta comunidades inteiras.
Em Minas Gerais, os indicadores mostram que o problema permanece grave, e casos como o de Montes Claros reforçam a necessidade de políticas públicas estruturadas, redes de acolhimento fortalecidas e ações contínuas de prevenção, tanto no poder público quanto nas instituições privadas.
Jhennifer agora soma sua memória à luta por justiça e por proteção às mulheres, deixando três filhos e uma família devastada pela violência.





