Tudo começou quando me deram o nome de Milton.
E naquele instante de pura simplicidade, nasciam sem que o mundo percebesse,
os mil tons da minha história, as mil tonalidades que, um dia, iluminariam meus passos e pintariam de sentido minha travessia e minha vida.
Tons de cor, de som, de alma.
Tons que dariam voz ao Poeta do Cerrado e de Salinas.
Cresci entendendo que tom é mais que cor ou melodia: é um modo de existir.
No som, se eleva ou repousa.
Na cor, vibra ou silencia.
Na emoção, inspira ou acalma.
Na palavra, vira voz, bênção e poesia.
O Cerrado e Salinas guardam meus tons antigos: o vermelho vivo da terra que pulsa,
o azul imenso do céu que abençoa, o dourado sagrado do pôr do sol que acaricia o horizonte, e o silêncio profundo das veredas, onde a alma escuta.
São tons que não apenas pintam a paisagem, mas desenham por dentro o coração humano.

Tons da Alma:
saudade que colore,
esperança que insiste,
silêncio que fala,
ternura que abraça,
coragem que enfrenta o vento.
Tons da Terra:
cheiro de chuva,
vento livre,
música das nascentes,
ouro do sol,
força das pedras antigas.
Tons da Poesia:
o verbo ajoelhado diante da beleza,
a fala do povo,
o protesto manso,
a narrativa que preserva,
a bênção que vira oração.
Tons do Tempo:
infância que ecoa,
outono que desprende,
eternidade que suspira,
reencontros, despedidas,
tudo em tom suave.
Mil Tons de Mim.

Sou feito de mil tons que o tempo escreveu nas veredas do meu nome.
Quando disseram Milton, o destino ouviu Mil Tons.
Carrego o frescor das nascentes,
a memória das árvores,
a coragem do meu povo,
o perfume da terra molhada.
E quando minha poesia caminha pelo mundo, ela semeia, germina, atravessa.
Porque em cada passo carrego os tons vivos da minha história.
Sou Milton.
Ou, talvez, Mil Tons.





