Uso de telas x alimentação: como a distração digital afeta o que e quanto comemos

Confira a coluna Nutrição em Pauta desta semana, por Dra. Tamirys Souza

O uso de telas durante as refeições — seja celular, TV, tablet ou videogame — se tornou um hábito comum em muitas famílias. Embora pareça inofensivo, esse comportamento tem impacto direto na qualidade da alimentação e na relação com a comida.

Menos atenção, mais consumo

Estudos em comportamento alimentar mostram que comer distraído reduz a percepção de saciedade. Quando o foco está na tela e não no prato, o cérebro recebe menos sinais de que a refeição foi concluída, favorecendo:
• comer mais rápido;
• porções maiores do que o necessário;
• sensação de fome precoce após a refeição;
• maior ingestão de alimentos ultraprocessados.


Essa desconexão entre corpo e alimento é conhecida como alimentação inconsciente (mindless eating).

Telas associadas a escolhas menos saudáveis

Crianças são particularmente vulneráveis. A exposição prolongada à TV e dispositivos móveis está ligada a:
• maior consumo de bebidas açucaradas;
• preferência por produtos anunciados;
• redução do consumo de frutas, verduras e legumes;
• aumento do risco de sobrepeso.

A combinação entre marketing agressivo e distração durante as refeições cria um ambiente que favorece escolhas alimentares pouco nutritivas.

Impacto no comportamento infantil

Além da nutrição, o uso de telas à mesa também interfere no desenvolvimento infantil. A refeição é um momento de aprendizado social: observar adultos comendo, experimentar novos alimentos, praticar linguagem e desenvolver autonomia.
Quando a atenção é desviada para a tela, essas experiências se perdem.

Adultos também são afetados

Para adultos, o hábito de comer usando o celular está associado a:
• maior ingestão calórica por refeição;
• menor percepção dos sabores;
• aumento do comportamento de “beliscar” ao longo do dia;
• relação automática e emocional com a comida.

Como quebrar o hábito

Embora pareça difícil desconectar-se, pequenas mudanças já fazem diferença:
1. Criar a regra do “refeição sem telas” para toda a família.
2. Comer à mesa, evitando refeições no sofá ou no quarto.
3. Servir porções adequadas antes de começar a comer.
4. Praticar alimentação consciente, observando textura, aroma e sabor.
5. Promover conversas durante as refeições, fortalecendo vínculos.
6. Reservar horários específicos para o uso de telas, evitando que o celular esteja sempre por perto.

O uso de telas durante as refeições pode parecer uma facilidade para distrair as crianças — ou para os adultos “desligarem” a mente —, mas traz consequências importantes para a saúde alimentar. Reconectar-se ao momento da refeição, mesmo que por alguns minutos, fortalece hábitos mais saudáveis, melhora a relação com a comida e promove convivência familiar de qualidade.

@tamirysnutri