A Polícia Militar de Minas Gerais intensificou, nos últimos meses, as ações de enfrentamento ao crime organizado em diversas regiões do estado. A Operação Adegas do Crime, em andamento desde fevereiro, já resultou na prisão de 57 pessoas envolvidas em adulteração de bebidas, contrabando, tráfico de drogas e receptação. Ao todo, 643 estabelecimentos foram fiscalizados e aproximadamente 2 mil pessoas foram abordadas, revelando a dimensão das atividades irregulares relacionadas ao comércio clandestino de bebidas alcoólicas e ao financiamento de organizações criminosas.
A iniciativa também já apreendeu cerca de 6 mil litros de bebidas alcoólicas adulteradas, além de drogas, armas de fogo e valores em dinheiro provenientes de atividades ilícitas. Segundo a PMMG, o objetivo é impedir que produtos adulterados cheguem à população, desarticular redes de distribuição e enfraquecer a estrutura financeira de grupos criminosos que se beneficiam da venda clandestina para movimentar recursos ligados ao tráfico.
Ação ganha reforço no Norte de Minas com operações simultâneas em Montes Claros e outras oito cidades
No Norte de Minas, a mobilização da Polícia Militar ganhou força com o lançamento regional da primeira fase da Operação BACO – braço da Adegas do Crime voltado ao combate do financiamento do tráfico por meio do comércio irregular de bebidas. A ação foi coordenada pela 11ª Região de Polícia Militar (RPM) e ocorreu simultaneamente em nove municípios: Montes Claros, Coração de Jesus, São Francisco, Janaúba, Januária, Brasília de Minas, Patis, Campo Azul e Ponto Chique.
Em Montes Claros, maior polo urbano da região, a operação mobilizou cerca de 100 agentes, entre policiais militares e civis, além de aproximadamente 50 veículos utilizados nas diligências. Os alvos incluíam estabelecimentos previamente identificados por levantamentos de inteligência como possíveis pontos de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
Durante as ações, foram apreendidos 11 papelotes de cocaína, 13 garrafas de uísque de 1 litro, 12 miniaturas de uísque de 50 ml, 38 garrafas de cachaça de 200 ml, além de 16 garrafas de bebidas variadas com indícios de descaminho e outras mercadorias irregulares. Também foram destruídos ou descartados 38 litros de cachaça, 11 litros de licor de pequi e 159 embalagens de licor de 50 ml, todos com inconsistências que comprometiam a segurança do consumo.
De acordo com a PM, comércios formais vêm sendo utilizados como fachada por organizações criminosas para “esquentar” valores ilícitos, especialmente em regiões estratégicas para circulação de mercadorias, como o Norte de Minas. A Operação BACO tem como objetivo interromper esse fluxo financeiro e proteger a população dos riscos associados a produtos adulterados.
A ação contou com o apoio da Receita Federal, Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Corpo de Bombeiros Militar, vigilâncias sanitárias municipais e prefeituras, fortalecendo a fiscalização administrativa e dando suporte jurídico às equipes em campo.
A PMMG informou ainda que novas fases da operação serão realizadas nos próximos dias, tanto na capital quanto no interior, para manter a pressão sobre grupos criminosos e reforçar a sensação de segurança da população.





