…. Dedico a Lô Borges.
Baseando-me em todo o projeto “Milton Santiago — O Poeta do Cerrado”, no modo como estou unindo arte, natureza, palavra e identidade popular, posso dizer que o maior legado que posso deixar é um legado de pertencimento e beleza viva do Cerrado e de Salinas, um testemunho de como a poesia pode proteger o que é sagrado — a terra, o povo, a história e a memória.

O Portal WebTerra me proporcionou além da escrita, arquivo vivo da minha história.
Com isso pude criar um roteiro poético-visual completo de “O Legado de Milton Santiago — O Poeta do Cerrado”, inspirado na coluna que escrevi, e contém uma narrativa poética e simbólica da minha trajetória e do meu legado — e quero transformá-lo em uma linha do tempo poético-visual, com fotos e vídeos representando os marcos mais importantes da minha caminhada artística e cultural.

Com base no conteúdo da coluna e no espírito do projeto “Milton Santiago — O Poeta do Cerrado”, elaborei uma coluna poética e reflexiva para publicar pelo WebTerra como se fosse o “testamento artístico” do projeto.
Meu maior legado não será apenas livros, colunas, vídeos, ou um projeto, mas o sopro de uma alma que caminhou junto à Salinas e ao Cerrado.
Deixarei palavras e versos como sementes,
poesias e colunas que brotam entre os galhos do pequizeiro, cantigas que lembram o jacu ao amanhecer.

O que desejo deixar é o reencantamento do Cerrado e de Salinas, a consciência de que cada flor do campo é também uma forma de poesia.
Que minha obra inspire o outro a pertencer ao seu chão, a honrar suas raízes, a ouvir o silêncio das veredas, o barulho das nascentes e rios, e transformá-los em canto, pintura, afeto.
Meu legado é ser ponte entre o ancestral e o porvir, entre a tradição oral e a palavra escrita, entre o sertão e o mundo.
Se um dia perguntarem o que deixei,
que digam apenas:
“Deixou o Cerrado e Salinas mais vivos, e a poesia mais próxima do coração.”
Venho consolidar como um gesto de preservação da memória, da natureza e da poesia que florescem no coração do Brasil.
Nesta travessia, entre a oralidade popular, a escrita poética e o compromisso com a cultura viva do Cerrado de Salinas , revela o papel do artista como guardião da identidade coletiva e semeador de afetos.
O maior legado de Milton Santiago é o reencantamento do Cerrado e de Salinas — a compreensão de que a arte pode ser instrumento de cuidado, pertencimento e transformação.
Minha poesia brota como a flor do pequi: simples e intensa, guardando no interior a força da terra e o sabor das origens.
Cada verso, cada atividade cultural, cada gesto educativo de meu projeto reafirma o valor da cultura do interior brasileiro e sua potência de inspirar novas gerações de artistas, educadores e sonhadores.
O impacto se manifesta na valorização da memória regional, na integração entre literatura e meio ambiente, e na construção de pontes entre a tradição e o futuro.





