Política: Senado aprova isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil; proposta segue para o plenário

Projeto do governo também prevê redução gradual para rendas de até R$ 7,3 mil e criação de alíquota extra para os mais ricos
Lula Marques/ Agência Braasil.

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (5), o projeto de lei do governo que amplia a isenção do Imposto de Renda (IR) para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês. A proposta também prevê uma redução gradual da alíquota para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350.

O texto segue agora para votação no plenário do Senado, com expectativa de ser analisado ainda nesta quarta. Se aprovado, será encaminhado à sanção presidencial. Caso o presidente sancione o projeto até o fim deste ano, as novas faixas de tributação passam a valer a partir de janeiro de 2026.

Atualmente, estão isentos do Imposto de Renda os trabalhadores que ganham até R$ 3.036 por mês, o equivalente a dois salários mínimos.



Mais de 25 milhões de brasileiros serão beneficiados

Segundo cálculos do governo federal, cerca de 25 milhões de contribuintes devem pagar menos imposto com a nova regra. Em contrapartida, aproximadamente 200 mil pessoas, pertencentes às faixas de renda mais altas, terão aumento na tributação.

O relator do projeto na CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), rejeitou as 11 emendas apresentadas por outros parlamentares. Ele justificou que alterações no texto poderiam atrasar a tramitação e impedir que a medida começasse a valer já em 2026.

“Tudo que nós não queremos é que o texto volte à Câmara dos Deputados. Diante do prazo curto e do histórico de tramitação, enviar o projeto de volta representaria um risco fatal, frustrando a população que aguarda por esse alívio em seus orçamentos domésticos”, afirmou Renan.

O senador destacou ainda que, pela legislação, mudanças tributárias só podem entrar em vigor no ano seguinte à sua aprovação, o que reforça a necessidade de sanção ainda em 2025.


Alíquota extra para os mais ricos

Para compensar a perda de arrecadação, o projeto cria uma alíquota adicional progressiva de até 10% para quem recebe acima de R$ 600 mil por ano — o equivalente a R$ 50 mil mensais.

A proposta também estabelece tributação de 10% sobre lucros e dividendos enviados ao exterior, que atualmente são isentos.


Críticas da oposição

A decisão do relator de manter o texto original, aprovado pela Câmara, gerou críticas da oposição. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) afirmou que o Senado deveria exercer seu papel de “Casa revisora” e defendeu mudanças no projeto.

“Precisamos colocar a digital do Senado. Não podemos abrir mão dessa função e simplesmente aprovar um texto que veio da Câmara sem discutir pontos importantes”, disse o parlamentar.

Portinho criticou especialmente a tributação sobre profissionais liberais que atuam como pessoa jurídica e que, segundo ele, seriam duplamente taxados — como empresa e como pessoa física, ao receber dividendos.

“Esses profissionais não são super-ricos. É injusto tratá-los da mesma forma”, afirmou.

Em resposta, Renan Calheiros ressaltou que os casos de profissionais liberais afetados serão “residuais” e que a maioria já paga alíquotas acima de 10%.


Tributação dos super-ricos e compensações

A alíquota extra máxima de 10% será cobrada de quem ganha acima de R$ 1,2 milhão por ano, ou R$ 100 mil mensais. Também foi mantida a cobrança de 10% sobre dividendos enviados ao exterior, com exceções para:

  • Governos estrangeiros com acordos de reciprocidade;

  • Fundos soberanos;

  • Fundos de previdência internacionais.

O texto prevê ainda mecanismos de compensação para possíveis perdas de arrecadação de estados, municípios e do Distrito Federal, resultantes da redução do Imposto de Renda dos servidores públicos.

De acordo com estimativas oficiais, entre 2026 e 2028, o governo federal deverá gerar um superávit de R$ 12,27 bilhões, valor que será usado para equilibrar eventuais quedas de arrecadação nos entes federativos.


Próximos passos

Com a aprovação na Comissão de Assuntos Econômicos, o texto segue para análise e votação no plenário do Senado. Caso seja aprovado, será encaminhado para sanção presidencial.

Se sancionado ainda em 2025, o novo modelo de tributação passará a valer a partir de janeiro de 2026, beneficiando milhões de trabalhadores e ampliando a faixa de isenção do Imposto de Renda no país. As informações são da Agência Brasil.