Operação Libertas resgata 337 animais silvestres em ação nacional; Montes Claros está entre as cidades alvos em Minas

Três pessoas foram presas e mais de R$ 600 mil em multas aplicadas durante operação que combate o tráfico de fauna
Eric Bezerra / MPMG

A Operação Libertas, deflagrada na última quarta-feira (29), resultou no resgate de 337 animais silvestres e na prisão de três pessoas suspeitas de envolvimento com o tráfico de fauna. A ação, de alcance nacional, foi coordenada pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e envolveu 11 estados brasileiros, entre eles Minas Gerais.

No estado, a operação contou com a participação conjunta da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), do Instituto Estadual de Florestas (IEF), da Polícia Militar e da Polícia Civil. Foram cumpridos 51 mandados de busca e apreensão em diversas cidades mineiras, incluindo Montes Claros, Betim, Almenara, Divisópolis, Juiz de Fora, São Miguel da Anta, Rio Pomba, Cataguases e Desterro de Melo.

Entre os animais resgatados estão 313 aves, 16 répteis e oito mamíferos, com espécies ameaçadas de extinção, como papagaios e araras, além de trinca-ferros, papa-capins, azulões, canários-da-terra e curiós. Os exemplares foram encaminhados aos Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) do IEF e do Ibama, onde recebem cuidados veterinários antes de serem devolvidos à natureza.


Fiscalização e irregularidades

As equipes da Semad concentraram as ações em criadores amadores de pássaros, suspeitos de envolvimento com o comércio ilegal de animais silvestres. Durante as inspeções, foram encontradas anilhas falsificadas, cativeiros irregulares e instrumentos de captura, como alçapões.

Ao todo, foram apreendidas 148 aves, 17 anilhas adulteradas e seis alçapões, com autuações que ultrapassam R$ 600 mil, valor que pode aumentar após a conclusão dos laudos técnicos.

Outros crimes identificados

Além do tráfico de fauna, as investigações também identificaram receptação, falsificação de documentos e selos públicos, maus-tratos, organização criminosa e porte ilegal de arma de fogo.

O superintendente de Fiscalização da Semad, Gustavo Endrigo, destacou a gravidade do crime:

“O tráfico de animais silvestres é uma atividade extremamente lucrativa para os criminosos, mas provoca sérios danos aos ecossistemas, causa sofrimento aos animais e leva muitos à morte”, afirmou.

A Operação Libertas reforça o compromisso de órgãos ambientais e de segurança com a proteção da fauna e flora nativas e com o enfrentamento dos crimes ambientais em Minas Gerais, consolidando a importância da fiscalização e da educação ambiental na preservação da biodiversidade.