O envelhecimento da população é uma das transformações demográficas mais significativas da atualidade. A expectativa de vida está aumentando em todo o mundo, graças aos avanços na medicina e à condição de vida das pessoas. Essa mudança traz uma série de desafios, tanto para os indivíduos quanto para as sociedades, a fim de garantir independência para as pessoas idosas.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que o número de pessoas com mais de 60 anos chegará a 2 bilhões até 2050, o que representa um quinto da população mundial. Além disso, no Brasil, segundo dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022, o número de pessoas com 65 anos ou mais no país chegou a 10% da população, com alta de 57% em relação ao censo de 2010. As projeções indicam que em 2030, o Brasil terá a quinta maior população idosa do mundo.

Pilares de um envelhecimento saudável
E o que significa envelhecer bem?
Diversos estudos científicos indicam que a qualidade de vida na terceira idade está fortemente ligada aos hábitos adotados (ou mantidos) a partir dos 40-50 anos.
Existem cinco pilares em que os hábitos e boas práticas para o envelhecimento saudável estão enquadrados:
- alimentação balanceada;
- exercícios físicos;
- monitoramento regular da saúde;
- cuidados com a saúde mental;
- prevenção de doenças comuns na terceira idade.
Atenção personalizada
Para além das recomendações gerais, é indispensável manter uma rotina de acompanhamento de acordo com a sua realidade. Fatores pessoais, histórico familiar e outros critérios podem exigir exames complementares ou estabelecer idades e periodicidade diferentes das estão presentes nos principais protocolos de saúde, por isso, informe-se e siga as orientações dos seus médicos.
- Saúde mental e bem-estar psicológico
Cuidar da saúde mental é tão importante quanto zelar pela saúde física no processo de envelhecimento. Idosos enfrentam uma série de mudanças (aposentadoria, saída dos filhos de casa, perdas de entes queridos, possíveis limitações físicas) que podem impactar seu estado emocional. Depressão e ansiedade não são incomuns nessa fase.
Um levantamento feito pelo IBGE em 2019 revelou que pessoas entre 60 e 64 anos apresentam a maior prevalência de depressão entre todas as faixas etárias. Esse dado mostra a importância de desmitificar a ideia de que tristeza persistente, apatia ou irritabilidade fazem “parte do envelhecer”. Ou seja, são sintomas que não devem ser ignorados e precisam ser tratados adequadamente.
Para promover um envelhecimento com saúde mental, várias boas práticas são recomendadas, respaldadas por estudos em gerontologia:
- manter conexões sociais ativas;
- engajar-se em atividades significativas;
- exercitar a mente;
- buscar ajuda profissional quando necessário.

Estudos comprovam que a socialização protege a saúde. A solidão e o isolamento, ao contrário, mostram impacto negativo comparável a fatores de risco clássicos de saúde. Sentir-se sozinho ou socialmente isolado pode aumentar a mortalidade em magnitude semelhante aos efeitos do tabagismo ou da obesidade. Por isso, manter laços familiares, amizade e participar de grupos ajuda a combater a solidão e protege a saúde mental do idoso.
Outra estratégia é manter a mente ativa. Participar regularmente de atividades cognitivas (como cursos, oficinas de aprendizado ou hobbies que desafiam o cérebro) foi um dos comportamentos saudáveis identificados por pesquisadores para evitar o Alzheimer. Estudos com idosos constatou que quando atividades cognitivas foram mantidas em conjunto com outros bons hábitos (atividade física, dieta saudável, não fumar e consumo moderado de álcool), o risco de desenvolver Alzheimer foi reduzido em 60%.
- Prevenção de doenças comuns na terceira idade
Um envelhecimento saudável também envolve adotar medidas específicas para prevenir as doenças mais prevalentes na terceira idade, muitas das quais estão ligadas a fatores de risco modificáveis. As práticas descritas nas seções anteriores (dieta equilibrada, exercícios, monitoramento médico e cuidados mentais) convergem para reduzir a probabilidade ou atenuar a gravidade de diversas doenças crônicas.
O que precisamos conscientizar é que envelhecimento saudável é um processo ativo, sustentado por escolhas conscientes e boas práticas mantidas com regularidade ao longo dos anos. É verdade que o ideal é iniciar esses cuidados o quanto antes, mas claro que toda mudança positiva faz a diferença. O importante é começar. Que tal agora?





