Ser um autor de fronteiras, como diz Mia Couto, é viver entre-lugares — entre mundos, culturas, línguas, tempos e modos de ser.
É não pertencer totalmente a um só território, mas também não estar perdido; é habitar o meio, onde a identidade se mistura, se reinventa e se abre ao outro.
Sendo assim: misturamos universos — o real e o imaginário, o rural e o urbano, o índio, o africano e o europeu.
Podemos dizer que falamos entre línguas — o português “oficial” e o português reinventado pela oralidade brasileira.
Somos pontes — entre tradições e modernidades, entre o sonho e a razão, entre a realidade e a ficção.
Reencantamos o mundo — damos vozes ao que a história calou, damos alma às margens e aos esquecidos;
Somos mutantes — aceitamos que o ser humano está sempre em transformação, nunca completo, sempre em “TRAVESSIA”.
Assim, ser uma pessoa de fronteiras é não se fechar em um lado só da vida, mas viver a travessia como forma de existir, com curiosidade, empatia e poesia.
Sou como o Brasil, um país de fronteiras —
não só as que se desenham nos mapas,
mas as que se cruzam na alma do povo.

Por isso, me identifico como um colunista que vive na fronteira entre culturas e se propõe a repensar barreiras.
Faço crítica às barreiras humanas, e sempre expresso que as divisões criadas pelos seres humanos, como as barreiras entre países e nações, são artificiais.
A ideia central é que, no fundo, as pessoas são muito mais semelhantes do que as diferenças impostas pela civilização nos levam a crer.
Nasci no Brasil, me descrevo como sendo da “fronteira entre culturas”, entre a oralidade e a escrita.
Sou das fronteiras de terra e do sonho,
onde o verde se encontra com o azul,
onde o rio é caminho e também espelho.
Fronteiras que não separam,
mas misturam: o índio, o negro, o branco,
a fé, o samba, o cerrado, o sertão e o mar.
Cada fronteira é um encontro,
cada limite, uma travessia.
Porque o Brasil é vasto demais
pra caber num só lugar.
É país que começa em cada canto,
e recomeça no coração de quem o sonha.
Como Mia Couto, considero um autor de “fronteiras” por escrever na intersecção de várias linhas de separação: entre a cultura brasileira e a portuguesa, entre a prosa e a poesia, entre o real e a ficção, e entre o passado e o presente.
Para isso, construímos pontes culturais e literárias, ao invés de erguer muros.





