Parentalidade e Estresse: Caminhos para o Empoderamento Familiar

Não sou uma mãe perfeita, e o estresse faz parte da minha rotina. Claro! Afinal, a vida traz consigo muitas demandas, como cuidar da casa, educar os filhos, fazer compras no supermercado, comparecer a consultas com especialistas, pagar contas etc. Fico estressada só de lembrar de tudo isso!

Como mãe, considero importante abordar desde o início uma questão muito comum nas famílias: o estresse. A realidade é que todos vivemos esse mal, principalmente quando certos padrões comportamentais, de desenvolvimento e de aprendizagem das crianças com deficiência afligem nossas famílias. Não sou uma mãe perfeita, e o estresse faz parte da minha rotina. Claro! Afinal, a vida traz consigo muitas demandas, como cuidar da casa, educar os filhos, fazer compras no supermercado, comparecer a consultas com especialistas, pagar contas etc. Fico estressada só de lembrar de tudo isso!

Mas, afinal, o que é o estresse parental?
Quando falo em estresse parental, não é um termo solto da literatura científica, é algo real que a gente sente na pele. Abidin (2003) define como uma reação psicológica que aumenta nossos sentimentos negativos diante das exigências de educar um filho. E, de fato, isso aparece no dia a dia: aquela irritabilidade constante, a exaustão que parece não passar, noites mal dormidas, dificuldade de se concentrar e até conflitos dentro de casa.

A intensidade desse estresse depende muito dos recursos que temos à disposição. E aqui não falo apenas de recursos internos, como paciência, resiliência ou do quanto conhecemos sobre o desenvolvimento infantil. Estou falando dos recursos externos, como: ter acesso a terapias de qualidade, médicos especializados, escolas inclusivas e, sim, condições financeiras que sustentem tudo isso. Além disso, faz diferença contar com uma rede de apoio confiável e receber orientação de profissionais realmente preparados para caminhar junto com a família.


De fato, o MEU ESTRESSE é lidar com o desconhecido. O desconhecimento ativa milhares de questionamentos na minha cabeça: como cuidar de tantas infecções respiratórias? Quando será o desfralde? Essa diarreia é uma intolerância ao glúten? Quais são os melhores especialistas? O que torna praticamente impossível viver sem estresse se você não sabe para onde ir, quem procurar e o porquê de algumas coisas.

Mas, se seu desejo de aprender for tão forte quanto seu estresse, use-o a seu favor! Foi o que fiz. Eu decidi aprender. Transformei minhas perguntas em pesquisa: no mestrado e no doutorado, aprofundei o estudo sobre desenvolvimento infantil e o papel ativo da família nas intervenções.

As famílias não precisam fazer mestrado e doutorado como eu fiz. Mas precisam, sim, se especializar nos seus próprios filhos. Para isso, dedique seu tempo a pequenas e grandes observações sobre seu filho e faça uma lista de seus grandes interesses (brinquedos, desenhos animados, personagens, comidas favoritas), até mesmo o melhor horário para oferecer atividades, comida e carinho.

Comece observando atentamente como ele se comunica: ele usa gestos para pedir algo? Demonstra sorrisos, olhares ou sons para interagir? Quais palavras já utiliza e em quais situações? Com quem mais gosta de se comunicar (irmãos, colegas ou adultos)? Em que momentos isso acontece de forma mais espontânea?

E quando a comunicação não acontece de forma funcional, como isso se manifesta? Ele apresenta crises, choros constantes ou comportamentos desorganizados? Esses registros podem revelar padrões, ajudar a compreender os gatilhos e abrir caminho para estratégias de apoio mais eficazes.

E você? Já conseguiu parar para observar esses pequenos sinais no seu filho,  um gesto, um olhar, um sorriso, até mesmo um choro mais insistente? Eles falam muito mais do que imaginamos.

Se esse texto tocou você de alguma forma, compartilhe com outra família atípica. Talvez seja exatamente o abraço que ela precisa hoje para lembrar que não está sozinha nesse caminho. 💙

Cylene Medrado