Após um primeiro semestre repleto de conquistas e homenagens, Milton Nascimento, aos 82 anos, recebeu um diagnóstico preocupante. O cantor descobriu que tem Demência por Corpos de Lewy (DCL), a terceira forma mais comum da doença, que apresenta sintomas que combinam características do Alzheimer e do Parkinson. A informação foi divulgada pela Revista Piauí, vinculada à Folha de S.Paulo.
No começo do ano, o ícone da MPB foi o primeiro artista vivo a ser homenageado pela Portela, famosa escola de samba com 22 títulos no Carnaval carioca. Além disso, participou do lançamento do documentário “Milton Bituca Nascimento”, dirigido por Flávia Moraes, e mudou-se para uma nova residência no Rio de Janeiro.
Logo após, seu filho, Augusto Nascimento, começou a notar mudanças significativas no comportamento do pai. Milton apresentava lapsos de memória, repetia histórias com frequência e tinha olhares perdidos, além de uma diminuição no apetite. Weverton Siqueira, médico de longa data do artista, confirmou um acentuado declínio cognitivo e recomendou uma bateria de exames.
Os resultados revelaram que o músico sofre de demência por corpos de Lewy, uma condição causada pela presença de depósitos anormais da proteína alfa-sinucleína no cérebro. Essa condição pode afetar funções cognitivas e motoras e havia levado anteriormente a um diagnóstico de Parkinson.
Enquanto aguardavam o diagnóstico, Augusto perguntou ao médico se seria viável fazer uma viagem inusitada com o pai. “Quando percebi a piora significativa no quadro cognitivo dele, perguntei ao médico se seria uma loucura viajar de motorhome pelos Estados Unidos”, contou.
O médico respondeu que, se havia um momento certo para a viagem, era aquele. Assim, no dia 7 de maio, pai e filho partiram rumo a Dallas, no Texas. No dia seguinte, assistiram a um show de Paul Simon e até se encontraram com o cantor. Poucos dias depois, em 9 de maio, seguiram para Phoenix, no Arizona, onde alugaram um motorhome para explorar o país. Durante 16 dias, percorreram cerca de 4 mil quilômetros.
Ao retornar da viagem, Augusto destacou que Milton não parava de falar sobre a experiência. “Meu pai contava para todos como se tivesse sido a melhor coisa de sua vida”, recordou. O filho, que foi adotado por Milton em 2017, sentiu que a aventura valeu a pena.
“A nossa relação se fortaleceu porque ambos compartilhávamos a mesma ausência: eu não tinha um pai, ele não tinha um filho. […] Havia espaço para ele em minha vida, e para mim na vida dele”, refletiu.





