Lições sobre o amor

O que fazer depois da confirmação do diagnóstico da síndrome de um filho? Essas foram algumas das perguntas que fiz por um tempo. Não sei estimar quanto tempo, mas sei que me perguntava todos os dias: Como vai ser?

Como se sentir diante da possibilidade de seu filho não andar e falar na mesma idade que as outras crianças?

O que fazer depois da confirmação do diagnóstico da síndrome de um filho? Essas foram algumas das perguntas que fiz por um tempo. Não sei estimar quanto tempo, mas sei que me perguntava todos os dias: Como vai ser?

A angústia e o medo fizeram parte do meu dia a dia. Eu sempre exerci o papel de fonoaudióloga, do outro lado da mesa. Tinha conhecimento sobre a síndrome de Down, sabia sobre o desenvolvimento, mas, como disse anteriormente, EU SEMPRE ESTIVE DO OUTRO LADO DA MESA.


Fazia parte daquele grupo dos terapeutas e profissionais. Mas agora faço parte do OUTRO GRUPO: sou mais uma mãe de MENINO COM a síndrome de Down. Todas aquelas questões de inclusão serão parte integrante e permanente da minha vida. Vou ter que me adaptar a novas situações familiares e sociais que não estava preparada para lidar.

Acho que ninguém está. Mas, quando falamos em inclusão, nos preocupamos somente com a sociedade e nos esquecemos de que a NOSSA família é uma parte FUNDAMENTAL deste processo.

Minha preocupação começou quando me deparei com a seguinte pergunta: como vou contar para minha outra filha, a Letícia? Como seria falar para Letícia que aquele bebezinho no meu colo tinha nascido com síndrome de Down? Ela tinha 6 anos, não entendia bem, mas já percebia diferenças. Falava de colegas na escola com a síndrome com certo receio, descrevendo-os como “diferentes”. Esse era o discurso dela.