2° temporada da radionovela ‘Madê vai ao Chico’ fala sobre a importância dos rios para nossa sociedade

Chega em sua segunda temporada, “Madê vai ao Chico”, a radionovela produzida em Belo Horizonte, que aborda questões sobre a importância dos rios para nossa sociedade. A obra traz cinco episódios de 15 minutos e aborda temas como o uso sustentável da água, a cultura dos povos barranqueiros e os mistérios envoltos das águas. A […]

Chega em sua segunda temporada, “Madê vai ao Chico”, a radionovela produzida em Belo Horizonte, que aborda questões sobre a importância dos rios para nossa sociedade. A obra traz cinco episódios de 15 minutos e aborda temas como o uso sustentável da água, a cultura dos povos barranqueiros e os mistérios envoltos das águas. A trama já se encontra disponível nas plataformas de streaming e está sendo um verdadeiro sucesso.

Segundo os idealizadores do projeto, Erika Rohlfs e Thiago Gazzinelli, ambos educadores e artistas do teatro e da música, a história se passará às margens do Rio São, e Madê conhecerá a cultura das comunidades barranqueiras e investigará o assoreamento dos rios e o desmatamento, impactos do progresso desenvolvimentista e os mistérios que rondam a percepção dos moradores entorno das histórias e vivências compartilhadas com o rio.


Em sua primeira temporada, desenvolvida durante a pandemia, Madê abordava as questões do isolamento, da verticalização da cidade e especulação imobiliária.

A primeira fase das gravações deu início às aventuras de uma detetive aposentada que, em um cenário de realismo fantástico sul-americano, precisava resolver um mistério. Personagem principal, Madê tem cerca de 70 anos, idade aproximada à de Miss Marple, personagem da escritora Agatha Christie, de quem inspira-se a atmosfera de suspense.

A construção da radionovela leva o público a tentar localizar os personagens dentro de um contexto que provoque discussões relevantes no cenário atual do país. Quando estavam pensando qual seria o pano de fundo para o debate que a nova temporada iria suscitar, Érika encontrou uma foto retirada por seu avô, um registro que causou tamanho mistério. Tratava-se de uma fotografia de uma cidade feita de dentro de um rio. Instigados, descobriram que a cidade se chamava São Francisco, localizada às margens do rio com que divide o nome. O rio passou então a ser cenário da radionovela.

Como processo imersivo, Érika e Thiago realizaram um trabalho de campo na cidade de São Francisco e também em Januária e Vale do Peruaçu, em Minas Gerais. Passaram dias conversando com a comunidade, observando um dia a dia que se constrói às margens das águas doces e escutando o próprio rio. Histórias e culturas que rodeiam o Rio São Francisco criam momentos de fruição e também de reflexão. Entre histórias marcantes que foram ouvidas, está o relato de Dona Gêra ao falar da enchente que atingiu a cidade no ano de 1979.

“Pra nossa surpresa, apesar das perdas que a enchente trouxe, as pessoas da cidade falam dela com alegria, diziam que era uma festa ver o rio chegando de porta em porta. Para evitar perdas futuras em caso de outras enchentes daquela proporção, foi construído um paredão entre o rio e a casa dos moradores, o que modificou a paisagem”, comenta Érika.

Do trabalho de campo, a radionovela também ganhou personagens como Carluz, inspirado em Carlúcio, morador da cidade de Januária, um pescador, poeta, conhecido como o maior inventor de histórias da região. Também a trilha sonora original foi inspirada nos sons produzidos pelo rio e reproduzidos a partir do violão, na música regional brasileira e em artistas locais e marginais.

Criação  

Érika conta que a radionovela está relacionada à busca por uma criação que não estivesse só no registro da visualidade. Unindo as expertises que vêm do teatro e da música, eles decidiram pela criação sonora, um nicho que tem se intensificado durante a pandemia com as produções de podcasts de diversos tipos, informacionais, ficcionais, o que possibilita uma nova roupagem para as antigas radionovelas e também para a própria expansão do conceito de podcast com a importação de técnicas de outras práticas artísticas e narrativas. Além do trabalho de campo, os criadores realizaram uma intensa pesquisa de formato sobre rádio dramas, radionovelas, rádio séries, rádio teatro e também foram buscar inspirações na literatura de Murilo Rubião, Guimarães Rosa e Gabriel García Márquez.

“O trabalho com o som pode ser mais misterioso, dar margem a interpretações diversas, quase uma investigação com o ouvido. Além disso, e também por causa disso, é mais fácil narrar histórias fantásticas por meio do som. Imagine ser transportado, com o estímulo de sons, para o espaço sideral, para debaixo d’água, para dentro da barriga de alguém. E toda a história acontece dentro de você, no palco da sua cabeça, porque a gente escuta pra dentro. Ouvir uma voz contando uma história é uma experiência intimista e deliciosa”, comenta Thiago.

Ela ressalta também que a radionovela está relacionada à educação inclusiva, algo com que ela trabalha há alguns anos. A radionovela pensa a acessibilidade universal e se propõe a uma experiência artística sonora e também em uma versão em Libras, tanto para incluir deficientes auditivos quanto para difundir a linguagem brasileira de sinais para amplo público.

Informações

Lançamento: Dia 04

Episódio 2 – 7 de outubro

Episódio 3 – 11 de outubro

Episódio 4 – 14 de outubro

Episódio 5 – 18 de outubro

Todos os capítulos contam com acessibilidade em Libras Spotify Made vai ao Chico.