02/01/2017 às 19h43min - Atualizada em 02/01/2017 às 19h43min

Do novo prefeito e seu secretariado

Empossado no domingo, dia 1º de janeiro, o prefeito Humberto Souto passa a partir de agora a ter a responsabilidade de administrar uma das maiores cidades de porte médio do estado, considerada a capital do norte de Minas. E recebe uma cidade cheia de problemas, herança da atribulada administração do ex-prefeito Ruy Muniz, que se dizia nota 10, mas na verdade nada tinha de excepcional  - ao contrário, foi um administrador comum, não muito diferente dos últimos que Montes Claros teve. Os dois problemas imediatos que Humberto Souto terá que enfrentar serão os pagamentos atrasados do funcionalismo e a buraqueira nas ruas da cidade, tornando o trânsito de veículos quase uma aventura inesquecível. Inesquecível porque quase sempre termina mal, com acidentes ou pneus cortados. Na melhor das hipóteses, com o motorista xingando a mãe do prefeito!

O novo prefeito já tomou posse decretando calamidade financeira no município, sinal de que reconhece que a situação vai requerer medidas drásticas e remédios amargos. Quais serão estes medicamentos? É o primeiro grande momento para testar o novo secretariado, que na verdade é uma coletânea de atendimentos políticos aos deputados Gil Pereira, Carlos Pimenta e ao ex-prefeito Athos Avelino, principais apoiadores da campanha de Humberto. Apesar das nomeações desmentirem o que Souto dizia em campanha, de que não tinha compromissos com ninguém, isso importa pouco. O que importa é o que o secretariado será capaz de dar à administração.

O que se pode dizer, assim a primeira vista, é que o novo secretariado não é nenhuma “Brastemp”. O próprio prefeito o define como composto de “pessoas comuns e honestas”. Resta saber se serão competentes, o que na verdade é o que mais importa, já que honestidade não é virtude, é obrigação. Ainda que nos tempos atuais da política brasileira seja uma obrigação não muito em moda! Tadeu Leite, quando eleito da primeira vez, lá nos idos de 1982, arrotava de ter em seu secretariado “as melhores cabeças da cidade”. As cabeças podiam ser as melhores, mas a administração foi das piores. Era a tal “administração mutirão”, de triste memória. Sinal de que talvez seja melhor ter assessores comuns, mas que queiram trabalhar e sejam competentes.

O novo secretariado conta com quatro ex-vereadores – Benedito Said, Gonzaga, Cori e Aurindo Ribeiro - alguns ex-secretários da gestão de Athos Avelino ( João Rodrigues, Paulo Ribeiro e Osmane Barbosa Neto), um ex-superintendente da Codevasf (Anderson Chaves), o atual presidente da ACI, Edilson Torquato, o que indica que não são pessoas assim tão comuns, como define o novo prefeito. São pessoas pelo menos com  experiência política  (os ex-vereadores) e administrativa (os ex-secretários municipais, o ex-superintendente da Codevasf e o presidente da ACI). É um conjunto mesclado com alguns nomes de escolha pessoal de Humberto, como Paulo Braga, seu assessor há muitos anos, Alessandro Freire, filho do amigo que dirigiu a rádio Educadora a vida inteira, e José Wilson, o Brizolinha, que esteve a seu lado durante toda a campanha. Vai dar certo? Dependerá muito do comprometimento com a administração (aquela de vestir a camisa), das cobranças e mão firme  do prefeito, de uma certa criatividade (para fazer o orçamento municipal render o máximo) e no acerto das obras escolhidas a serem implementadas, já que não é possível fazer tudo numa cidade tão cheia de problemas.

Mas o que primeiro precisa ser feito e para tal não é necessário nenhuma criatividade, é tapar a buraqueira que Zé Vicente deixou como herança. De preferência, com um serviço bem feito, de qualidade, que não tenha apenas a duração “até as próximas chuvas chegarem”. Ou se faz serviço de melhor qualidade, ou será como sempre dinheiro do contribuinte jogado fora. Talvez a nova administração já possa mostrar que é diferente – e que não é apenas comum e honesta – realizando uma operação “tapa buraco” eficiente, com selo de qualidade para durar pelo menos o período de quatro anos. Se  começar desta maneira, a gestão do prefeito Humberto Souto terá um bom início e o povo baterá palmas.

Que o ex-deputado e ex-ministro do TCU, agora prefeito de sua terra natal não se iluda: será cobrado pelo povo mais do que todos os outros prefeitos já foram, pois nenhum outro até hoje obteve uma votação tão expressiva como ele. O eleitor confiou, mas vai querer respostas, na saúde, na educação, na segurança pública, no trânsito, principais problemas da cidade. E logo de cara vai cobrar duas promessas de Humberto em sua campanha – e não venha dizer que não prometeu: acabar com a taxa do lixo e as multas indiscriminadas da MCTRAN. A lua de mel acabou, agora começa a vida real!

 

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